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CORONAVÍRUS PROBLEMAS

Covid: 5 problemas para o início da distribuição da vacina no Brasil

Segurança da vacina chinesa é boa notícia, mas questões políticas e de logística comprometem prazo para imunização ainda este ano

24/09/2020 19h49
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Por: Redação Fonte: 100noticias.com.br
Covid: 5 problemas para o início da distribuição da vacina no Brasil

SÃO PAULO — O anúncio de que testes realizados na China comprovaram a segurança da vacina chinesa CoronaVac, que será produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, é mais uma etapa vencida, mas o caminho para a tão aguardada vacinação contra a Covid-19 começar de fato ainda é longo. Um dos principais entraves é político: a falta de sintonia e diálogo entre o governo federal de Jair Bolsonaro e o de São Paulo, de João Doria, acirrada desde o começo da pandemia, se reflete também em uma ausência de acordo, até agora, sobre a compra de doses da vacina chinesa pelo Ministério da Saúde. 

Veja o que ainda precisa ser superado:

1. Descompasso entre governos

O governo federal e o Ministério da Saúde ainda não sinalizaram que vão comprar a vacina chinesa CoronaVac, cujas primeiras doses serão enviadas a São Paulo e, posteriormente, produzidas em uma nova fábrica do Instituto Butantan. Para introduzir a vacina no PNI (Programa Nacional de Imunizações), o estado precisa do aval do ministério. Há autonomia e possibilidade de que a vacinação seja feita de forma independente, mas isso significaria um aporte incomum de recursos em logística e suprimentos, e que não convém ao governo estadual dispor.

As primeiras cinco milhões de doses da CoronaVac chegarão da China em outubro. Doria já disse que pretende começar a vacinar a população em dezembro, e que teria um "plano alternativo" caso não houvesse acordo com o Ministério da Saúde.

— Temos um plano alternativo, mas preferimos acreditar em um plano nacional que envolva o Ministério da Saúde. É nisso que temos trabalhado. Não faz sentido acreditar que o ministério não vá ter um tratamento igual a todos os brasileiros. Seria um gesto muito condenável, prefiro nem me referir a ele. O que posso garantir é que os brasileiros que residem em São Paulo não vão ficar sem a vacina — disse o governador em coletiva de imprensa.

Na quarta-feira, o secretário da Saúde de São Paulo, Jean Carlo Gorinchteyn, foi a Brasília tratar do tema. As tratativas são recorrentes, confirma a Secretaria de estado da Saúde. Mas ainda não há uma definição sobre como seria esse plano alternativo. A pasta afirma que o estado tem "expertise" em programar vacinas e que poderia fazê-lo mesmo sem o Ministério da Saúde. Mas nem no Palácio dos Bandeirantes se afirma ter batido o martelo sobre como será essa estratégia.

2. Aprovação da Anvisa

Mesmo que as primeiras doses cheguem em outubro, e que a vacinação seja programada para dezembro, como Doria já sinalizou ter intenção, o uso na população depende de aprovação do imunizante pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O órgão precisa dar seu aval para que a vacinação seja iniciada, o que não acontecerá até a chegada das doses ao Brasil. Procurada pelo GLOBO, a Anvisa informou, através de sua assessoria de imprensa, que o prazo para avaliação dos pedidos de registro de vacinas é de 60 dias.

Para assegurar o cumprimento desse prazo, diz a Anvisa, "foi estabelecido um comitê de especialistas de diversas áreas, que já está à disposição para receber os dados às medidas que forem gerados".

Com isso, ficaria justo o prazo entre a chegada das doses e o início da vacinação desejado pelo governo de São Paulo. A agência afirma, porém, que não se compromete com prazos de início de imunização. Na mesma nota enviada ao GLOBO, explica: "A Anvisa não se compromete com prazos de imunização, tendo em vista que sua atribuição é avaliar os dados que compõem os pedidos de registro".

3. Aprovação dos testes clínicos no Brasil

A Anvisa precisa aprovar, também, os resultados de estudos em fase III, que incluem nove mil profissionais da saúde voluntários no Brasil. Apesar do comitê criado na Anvisa (ver item anterior) e da celeridade dada ao processo, o pedido de registro só pode ser realizado pelo Instituto Butantan após a conclusão dos estudos que estão sendo conduzidos no Brasil, confirma a agência. "É obrigatório aguardar a conclusão desses estudos a serem realizados no Brasil para que se possa concluir sobre a eficácia e a segurança da vacina", diz a Anvisa, em nota.

Desde o início dos testes no Brasil, em 21 de julho, 5.600 voluntários estão sendo testados em mais de 12 centros de triagem. Ou seja, em dois meses, 62% dos voluntários receberam doses da CoronaVac ou placebo. Outros 3.400 (38%) ainda precisam passar pelo processo. Ontem, a Anvisa autorizou aumentar o número de voluntários testados. Eles passarão a 13.060 voluntários, com expansão do estudo da vacina aos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Hoje a testagem é feita em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal.

4. Logística de distribuição e vacinação

Caso haja a opção por um plano independente de vacinação em SP, o governo precisará definir questões técnicas e logísticas de distribuição e vacinação - incluindo a garantia de seringas e agulhas para uma população de 46 milhões de habitantes no estado. Por enquanto, apesar de o governador João Doria admitir que há um plano alternativo de imunização dos paulistas, não houve divulgação oficial de como ele se daria, apenas que começaria pelos profissionais de saúde, em dezembro. A divisão técnica de imunização do estado também precisaria ser preparada.

A disponibilidade de seringas e agulhas é outro ponto crucial para garantir a vacinação. A Secretaria de estado da Saúde afirma que adquiriu 21 milhões de seringas e agulhas para vacinações de rotina em 2020, e que tem uma reserva estratégica de 11 milhões desses insumos para vacinação contra a Covid-19. E afirma, em nota, "que estuda os quantitativos e qual a modalidade de compra mais vantajosa para as campanhas de imunização de 2021, que também incluiriam a da futura vacina de coronavírus".

A previsão é que o país receba um total de 60 milhões de doses: seis milhões até outubro, mais 40 milhões até dezembro, e outros 15 milhões até fevereiro de 2021. Apenas as primeiras seis milhões de doses da vacina chinesa já vêm prontas para aplicação (com seringas e agulhas).

Segundo Walban Souza, diretor de assuntos corporativos da BD, uma das maiores fabricantes de seringas do país, o governo estadual não abriu até então licitação para aquisição de seringas adicionais para um provável início de imunização contra o coronavírus ainda este ano. O material, como os próprios fabricantes já adiantaram, não é algo que se faz da noite para o dia.

5. Quantidade de doses e investimentos

Ainda não está claro como o governo estadual garantirá a compra de 60 milhões de doses já previstas e anunciadas, caso não conte com a ajuda do governo federal. Além disso, SP pede que o Ministério da Saúde compre mais 40 milhões de doses. Desde o início da pandemia, o governo de São Paulo pede a ajuda do governo federal para a CoronaVac. O aporte inicial pedido foi de R$ 1,9 bilhão, para investir em doses e em uma futura fábrica do imunizante no Butantan.

O governador João Doria diz que São Paulo já acordou 60 milhões de doses até fevereiro do ano que vem, mas pede que o Ministério da Saúde compre mais 40 milhões. Apesar disso, o que a pasta confirmou até o momento, em coletiva, é um investimento de R$ 80 milhões exclusivamente para a nova fábrica, que passará a produzir doses da CoronaVac por um acordo de transferência de tecnologia. Esse anúncio não envolveu recursos para a compra de doses.

Ou seja, o que governo de São Paulo tem acordado até agora - 60 milhões de doses - não consegue nem imunizar com a dose dupla toda a população do estado, por exemplo, que tem cerca de 46 milhões de habitantes.

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