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De aluno a professor: projeto social muda vida de jovem da periferia

Henrique de Paula cresceu na comunidade Viela da Paz na Grande São Paulo e conta como o esporte ajudou no processo de educação

23/09/2021 às 07h31 Atualizada em 23/09/2021 às 07h34
Por: Redação Fonte: R7 - Alex Gonçalves, do R7*
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"A gente pode até crescer em locais onde há poucas perspectivas, mas há um mundo a se conquistar", inicia Henrique de Paula Oliveira Silva, 23 anos, professor de educação física, que teve sua vida transformada ao conhecer o esporte por meio do projeto social Cervantes Solidário.

Natural de Piripiri (PI), o jovem chegou com a família na cidade de São Paulo muito pequeno, com três anos de idade. Cresceu na comunidade periférica Viela da Paz, localizada em Taboão da Serra, município da grande São Paulo. A situação da família nunca foi fácil.

A família sempre morou de aluguel. “Tinha mês que pagávamos o aluguel e faltava a comida, em outro tinha comida e faltava dinheiro para pagar o aluguel”, lembra Henrique dos desafios em garantir moradia e alimento.

Em 2009, um grupo de professores e colaboradores do Projeto Cervantes Solidário, do Colégio Miguel de Cervantes, começou um trabalho social na comunidade em que o Henrique morava, com aulas de futsal e espanhol para crianças e adolescentes. "Lembro que na época fiquei muito feliz e motivado, sempre quis fazer esse tipo de atividade, mas a realidade em que eu vivia não me permitia sonhar."

Já em 2012, Henrique entrou oficialmente para os esportes. Participou de competições em diversas modalidades, mas foi através do basquete que recebeu um convite para jogar no time do Mackenzie Tamboré. Foram dois anos jogando pela instituição de ensino, conciliando com as atividades do projeto solidário. "O esporte foi muito importante neste período, foi um período de refúgio, que me ajudou a canalizar toda a energia que tinha”, lembra.

Aos 16 anos de idade, com o fim do contrato como Jovem Aprendiz no Cervantes Solidário, Henrique decidiu ingressar na faculdade para o curso de educação física. Para realizar o seu sonho e, ao mesmo tempo, ajudar a compor a renda familiar, ele trabalhava nas ruas da capital paulista vendendo pão de queijo, café e até guarda-chuva. "Fiz tudo que um jovem de comunidade faz no seu primeiro emprego para mudar o meu destino e o da minha família", explica.

Em 2017, já na faculdade, o estudante retornou para o projeto solidário como estagiário, desempenhando atividades esportivas em escolas localizadas em comunidades periféricas. Henrique se formou em 2019 na UniÍtalo (Centro Universitário Ítalo Brasileilro) com bacharelado de educação física e logo foi convidado a atuar como professor do Cervantes.

"Hoje, faço o mesmo que fizeram por mim. Saber que estou contribuindo para o crescimento e desenvolvimento de outras crianças é a minha maior recompensa", conclui.

*Estagiário do R7 sob supervisão de Karla Dunder

 

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