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Astronautas simulam vida em Marte em deserto de Israel

Equipe ficará isolada por quase um mês em Mitzpé Ramon, maior cratera de erosão do mundo com 40 km de extensão

11/10/2021 às 13h23 Atualizada em 11/10/2021 às 13h25
Por: Redação Fonte: R7 -
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Em uma cratera de 500 metros de profundidade, perdida no meio do deserto ocre do Negev, no sul de Israel, seis "astronautas análogos" - termo usado para descrever pessoas que reproduzem, na Terra, longas missões espaciais - vão simular as condições de vida em Marte

Neste quadro peculiar de Mitzpé Ramon, a maior cratera de erosão do mundo com 40 km de extensão, o Fórum Espacial Austríaco (OeWF) instalou sua "base marciana", em colaboração com a agência espacial israelense, no âmbito da missão Amadee-20. Inicialmente, a simulação estava planejada para começar no ano passado, mas foi adiada, devido à pandemia de Covid-19

A cratera, o deserto rochoso e as cores laranja do horizonte lembram a paisagem de Marte, mas a gravidade e o frio nem tanto. "Aqui temos temperaturas de 25°C a 30ºC. Em Marte, é -60ºC, e a atmosfera é irrespirável", relata o austríaco Gernot Grömer, que supervisiona a missão

Por quase um mês, até o final de outubro, a equipe formada por membros de Portugal, Espanha, Alemanha, Holanda, Áustria e Israel vão viver isolados do mundo nesta "estação marciana". Poderão sair somente de traje especial, como se estivessem, de fato, no Planeta Vermelho

Todos os membros da "tripulação" são voluntários e tiveram de passar por diversos testes físicos e psicológicos para participar

O Fórum Espacial Austríaco, uma organização privada que reúne especialistas do setor aeroespacial, firmou uma parceria com o centro de pesquisa israelense D-MARS para construir a base em forma de polígono, movida a energia solar. Por dentro, o conforto é espartano com uma pequena cozinha e beliches. A maior parte do espaço é para experimentos científicos

No futuro, seus resultados podem ser cruciais, já que a NASA, a agência espacial norte-americana, considera enviar uma primeira missão tripulada a Marte na década de 2030

Durante o mês em que simularão a vida de Marte na Terra, os astronautas análogos terão de testar um protótipo de drone que funciona sem GPS, assim como veículos autônomos movidos a energia eólica e solar para mapear o território

Microbiologista de formação, a alemã Anika Mehlis, única mulher do grupo, ficará encarregada de avaliar as possibilidades de contaminação microbiana, ou seja, o risco de introdução de bactérias terrestres em Marte que poderiam matar qualquer tipo de vida no Planeta Vermelho."Seria um grande problema", afirma, apontando para o que é considerado um dos maiores desafios na conquista do espaço

Além de testar equipamentos e tecnologias, a missão também quer estudar o comportamento humano, especialmente o impacto do isolamento nos astronautas

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